quinta-feira, 19 de julho de 2007

GLÓRIA MARIA -"ENFRENTO PRECONCEITO NO FANTÁSTICO"




“Sou célebre porque tenho um trabalho que todo mundo vê.
Tudo que faço vira notícia”, diz Glória Maria

Incomoda-se de ser vista como uma celebridade?


Nada me incomoda. Celebrity é uma pessoa que é célebre, conhecida. Esse o sentido clássico da palavra. E eu sou. Trabalho há mais de 25 anos, as pessoas me conhecem. Sou célebre porque tenho um trabalho que todo mundo vê. Então por que me incomodaria? Não tenho assessoria de imprensa, nunca liguei pra ninguém para passar nota e todos sabem tudo de mim. Tudo que faço vira notícia.

Esse é um dos motivos das resistências na Globo?


A Globo é o meu trabalho. O meu vínculo com a Globo é afetivo. Só que a minha vida não se resume a um afeto. Eu vivo. Eu saio, namoro, vou ao cinema. Isso independe do meu trabalho, se isso vira notícia é outra história. Jogo frescobol na praia e nunca ninguém me fotografou de biquíni porque nunca permiti. Sei onde vou jogar. Só que para algumas pessoas incomoda o fato de eu escapar do controle que elas estabeleceram.

Você enfrentou preconceito no Fantástico?


Enfrento até hoje. É muito difícil para as pessoas que eu esteja apresentando o Fantástico. Tem preconceito sim. Ainda sinto focos de resistência, não do público. Só estou no Fantástico por causa do público. É difícil para as pessoas que formam os focos de resistência entenderem que sou uma profissional que tem história e credibilidade. Para muitos isso é inadmissível quando se tem como invólucro a pele negra.

Sofre boicotes?


Tem resistência, tem boicote, tem coisas daqui e dali. Mas faz parte do meu show. Estou acostumada a enfrentar este tipo de obstáculo. Venço isso com trabalho. Tenho as pessoas que acreditam em mim. Se fosse mais frágil e mais fraca, já teria saído fora há muito tempo porque a pressão é violenta.

Que tipo de pressão?


É difícil exemplificar porque são coisas muito sutis como sutil também é o preconceito. Ninguém vai ter coragem de dizer: ‘Não estou afim de que você continue apresentando o programa’. Não é assim que a banda toca. A coisa é feita de maneira sutil, portanto cruel. Mas sei como as coisas acontecem, enfrento.

Sofre preconceito fora da tevê?


Não. Fora da televisão já aprenderam a me aceitar e respeitar. Não tem mais aquela história de que "ela é clarinha". Todo mundo sabe que sou negra, que tenho talento e que trabalho direito. O preconceito que enfrento a cada dia é profissional, dentro da televisão. É difícil aceitar uma profissional que tenha ultrapassado a barreira do jornalismo. Como sou conhecida e estou sempre na mídia, isto incomoda mais ainda.

(Entrevista à Revista Isto È Gente)


Um comentário:

José valdo disse...

Valeu Glória sempre que vejo um negro na televisão penso que ele enfrenta preconceitos. Você só confirmou isto. Siga vencendo, para inveja de muitos